Imprensa, MP e Justiça: quem faz as denúncias?

MP tem que partir para cima das prestações contas do FUNDEB, do SUS, Secretaria de Esporte, Infraestrutura, Administração e do FPM e sabe porque? veja a matéria.
Por Ricardo Kotscho*
Com os malfeitos municipais (licitação do Controlar) e estaduais (contratos do Metrô) tomando nas últimas semanas o lugar dos casos federais que dominaram o noticiário durante todo o ano, deu para notar uma importante diferença na origem das denúncias.
No plano federal, quem toma a iniciativa das investigações, das denúncias e, às vezes, até dos julgamentos de ministros, é a imprensa, quer dizer, os principais veículos de comunicação do país, com interesses econômicos contrariados ou com medo do fantasma do "controle social da mídia".
A Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça vão a reboque do clamor da imprensa e dos partidos de oposição, tomando providências em função do noticiário e da opinião publicada (não confundir com opinião pública).
Já em São Paulo, dá-se exatamente o contrário. Tanto no plano municipal como no estadual, quem investiga, denuncia e julga são os orgãos competentes e é a imprensa que vai a reboque dos fatos, limitando-se a registrar o resultado das investigações policiais e dos inquéritos do Ministério Público.
O denuncismo seletivo e o tratamento diferenciado, oferecido principalmente pelos jornalões paulistas, acaba se refletindo também nas revistas semanais e nos telejornais de maior audiência, que só costumam repercutir e amplificar as denúncias contra o governo federal.
É verdade que a "Folha" foi quem levantou a lebre do contrato das obras de um trecho da Linha 5 do Metrô, ao provar que os vencedores da concorrência já eram conhecidos seis meses antes. Depois disso, porém, ninguém mais foi atrás do assunto, até que a Justiça determinasse a suspensão das obras e o afastamento do presidente do Metrô, que já voltou ao cargo.
No caso do estranhíssimo contrato da Prefeitura com o Consórcio Controlar (das empreiteiras Camargo Correa e Serveng) para inspeção de veículos, assinado em 2007 por Gilberto Kassab, dez anos depois da licitação feita ainda nos tempos de Paulo Maluf, a imprensa só se interessou pelo assunto depois que o Ministério Público terminou suas investigações e a Justiça tomou providências, decretando o bloqueio dos bens do prefeito.
O destaque dado no noticiário às denúncias contra ministros, que já levaram à demissão de cinco deles, é desproporcional aos valores e à natureza dos ditos malfeitos, se comparados aos prejuízos causados aos cofres públicos pelo Metrô (em torno de R$ 300 milhões nos cálculos do Ministério Público) e pela Controlar (os promotores calcularam o valor da ação em R$ 1 bilhão).
Não se trata de mensurar a corrupção, mas de questionar o tratamento desproporcional dado pela grande imprensa a casos de igual gravidade no governo federal, no estadual e no municipal.
Só os donos da mídia e seus prepostos não estão se dando conta de que, com a internet, não dá mais para ter este tipo de comportamento sem que todo mundo perceba. É isso que explica a crescente perda de freguesia e de credibilidade da velha mídia.
*Ricardo Kotscho é jornalista
Fonte: Blog Balaio do Kotscho

2 comentários:

  1. Qualé que nada.
    Num município atrazado como esse que as autoridades não tão nem ai porque ninguém cobra delas. As instituições de peso estão a milhas de distancia e ainda mais não tem veiculo de comunicação atuante.O povo receioso.
    A única fonte de denúncia mesmo é a Camara de Vereadores.Como estes são parasitas as coisas andam sempre de mal a pior.
    Continuem elegendo essa cambada de desonestos e inúteis para a camara e nunca se vai ter governo sério. O pior é que mais da metade sempre se reelege. Não é atoa que os prefeitos gatunos nadam de braçada enquanto um cardume de puxa sacos felizes batem palmas.

    Do pobre e ferrado ZÉ NABUCHA

    ResponderExcluir
  2. Valeu pela inteligência Zé,a verdade esta na cara de todos pena que não querem enxergar.Enquanto isso a família Carvalho mais rica e mais rica.

    ResponderExcluir